Toda vez que vemos uma notícia mais polêmica envolvendo questões morais e/ou costumes, vemos grupos religiosos se levantarem contra ou a favor de um ponto de vista e, ao mesmo tempo, grupos que defendem a não intervenção religiosa em decisões de Estado. Foi assim com questões recentes no Brasil como o aborto de anencéfalos e casamento civil entre homossexuais.

Esse pedido de intervenção religiosa em questões de Estado baseia-se em algo que está na nossa Constituição Federal (Artigo 19): o laicismo estatal. É sobre esse assunto que eu quero falar hoje.

O laicismo estatal, ao contrário do que muitos acreditam, não é um estado que nega a existência de Deus, mas simplesmente não favorece ou apoia qualquer igreja ou religião. O nosso Estado é um estado laico pois, como comentei acima, na sua constituição, no artigo 19, ele estabelece o seguinte no seu primeiro item:
 

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

Assim sendo, e como Cristão, quero levantar alguns pontos que acredito a respeito desse assunto e que difere de algumas pessoas que professam alguma fé.

Eu defendo um Estado laico, como o nosso por alguns motivos:

  1. Como cidadão não quero ser tratado diferente de ninguém por causa daquilo que acredito. Em estados teocráticos o que vemos é uma gama de regras baseadas muitas vezes em ritos ou costumes antigos, os que não seguem essas regras perdem privilégios ou direitos. Na Bíblia Jesus não fez diferenciação de pessoas.
  2. Como Cristão não quero ser obrigado a acreditar em algo, quero poder ter a minha fé sem interferência estatal. Um Estado teocrático diz no que devo acreditar, e não acho isso certo. Acredito inclusive que as pessoas tem o direito de não acreditar em nada. Se você olhar com a perspectiva cristã isso faz muito sentido, pois a Bíblia ainda relata que muitos não acreditariam no Evangelho.
  3. Não acredito que um Estado teocrático de qualquer religião seja justo. Entra mais ou menos na questão do item 1, mas um pouco diferente. No primeiro é uma discriminação por parte do povo, aqui uma questão do próprio Estado. Ainda que o estado teocrático deixe que você acredite em algo diferente eu tenho dificuldade em acreditar que em julgamento onde uma das partes tenha fé diferente ele seja tratado igualitariamente.
  4. Questões importantes para a sociedade podem ser prejudicadas por costumes ou ritos antigos. Esse é um risco que corremos ainda que o Estado não seja laico, mas num Estado teocrático isso se torna mais forte. Veja, por exemplo, a questão do aborto de anencéfalos onde vários grupos religiosos defendiam a continuidade da gravidez mesmo que isso representasse risco para a mãe.

Como Cristão eu acredito que mesmo se o Estado fosse teocrático Cristão, isso tudo ainda aconteceria. Não há como ter certeza que algum governante, ainda que professe uma fé, agiria corretamente.

 

Ninguém sabe ao certo como começou. Nem as autoridades, nem os cidadãos comuns, nem mesmo os teóricos das mais elaboradas conspirações. Acredito que o que contribuiu para que eles passassem desapercebidos é que a mudança que eles provocaram na sociedade, foi lenta e gradual.

Fisicamente e fisiologicamente falando, foi impossível que nós os detectássemos antecipadamente, afinal eles são iguais a nós nesse aspecto. O que os difere de nós é o seu caráter, a sua índole os seus valores.

Mesmo com tudo que sabemos sobre eles, o que não é muito, diga-se de passagem, não sabemos como eles chegaram. Nunca apareceu nenhuma nave espacial. Nunca ocorreu nenhum evento mágico ou inexplicável. Eles apenas apareceram e se infiltraram no nosso meio.

Acredito que o maior problema foi não conseguirmos evitar a contaminação. Essa não veio através de nenhum mecanismo elaborado ou organismo vivo. A contaminação veio através da fala. A transferência do mal que eles trouxeram foi através da conversa, da convivência.

Ainda hoje é difícil perceber quem está contaminado. O mal que eles trazem se disfarça muito bem. Parece algo bom mas, quando você menos percebe, começa a matar a você e os que estão ao seu redor.

Ao contrário de tudo que algum dia se imaginou sobre outras formas de vidas inteligentes que nos visitassem, o que eles trouxeram não foi nenhum presente, foi uma maldição. Através deles é que conhecemos a ganância, a maldade, o ódio, a guerra! Até a sua chegada éramos uma sociedade amigável, vivíamos em paz e isso bastava. Eles trouxeram a destruição.

Eles já tinham experiência nisso. O local de onde eles vieram foi destruído num processo semelhante ao que estamos enfrentado agora, e eles foram os grandes culpados.

Hoje percebo que a vontade deles não era trazer a destruição, mas sim, encontrar um lugar onde eles pudessem residir e continuar sua vida. Mas deve haver algo na sua natureza que faz com que eles tragam junto a maldade e a dor.

Um dia eles chegaram, vindo do seu planeta distante. Eles se infiltraram e começaram a disseminar o mal (ainda que involuntariamente) no nosso meio.

Não sabemos a data, mas sabemos que eles, os Humanos, vindos do planeta Terra, chegaram em Mitros e contaminaram nossa sociedade. E hoje, se somos um planeta devastado pela guerra, a culpa é toda deles, dos Humanos!

Com o passar do tempo a humanidade evoluiu bastante. Se desenvolveu intelectualmente e tecnologicamente. A cada dia temos novas descobertas e aprendemos mais sobre o que nos constitui. Ciências como a psicologia evoluíram junto e ajudam a resolver problemas que, muitas vezes, nem sabemos que temos. Isso é algo que tem ajudado muitas pessoas a terem uma vida melhor.

Eu me considero um cientista (e brinco, às vezes, com isso porquê sou formado em Ciência da Computação) e tenho vários amigos na mesma situação. Alguns são, inclusive, cientistas de laboratórios, daqueles que costumamos pensar quando olhamos a palavra "cientista". Mas também sou Cristão.

Existem algumas pessoas, radicais a meu ver, que consideram fé e ciências coisas incompatíveis. Eu penso diferente e é sobre isso que quero falar um pouco hoje.

Olho para pessoas que são radicais e fico triste e às vezes decepcionado. E quando falo de radicais falo tanto dos religiosos quanto dos não religiosos. Ter uma opinião e defendê-la é muito bom, mas acredito que as pessoas deveriam se lembrar que nem todos somos iguais e nem pensamos de forma única. Deveríamos nos lembrar que as pessoas, numa democracia ao menos, tem o direito de discordar da nossa opinião. E, creio eu, isso não deveria ser um problema para nós, afinal é a vida de cada um.

Apesar de crer que o ser humano evoluiu ao logo dos tempos por vários processos, não descarto a existência de Deus.

Ter fé em Deus, por exemplo, me ajuda a superar dificuldades que eu tenho. Acreditar que Deus me ouve, me conforta em momentos de tristeza. No entanto ver o ser humano desenvolvendo novos produtos e descobrindo coisas fantásticas, me faz ver a nossa capacidade de superação e adaptação.

Não vejo nenhum problema em uma cientista ter fé. Assim como não vejo problema uma pessoa de fé acreditar num processo evolutivo. Isso não torna ninguém melhor ou pior.

Não acho que dá para dizer que somos só cientistas ou só pessoas de fé. Como eu disse, somos mais que isso. Somos a soma das nossas experiências, crenças e também sofremos influência do meio que vivemos. Para mim somos é a soma daquilo que acreditamos.

Hoje fui assistir a Tropa de Elite 2 nos cinemas. Saí do filme com a adrenalina alta, mas também sai triste.

Sai triste porque o filme retrata muito bem a realidade do meu país. Uma realidade dura e cruel. O filme retrata aquilo que vemos todos os dias, em todos os lugares que vamos. Desde a padaria até uma suprema corte. O filme retrata a ganância descabida e desmedida, o desejo de levar vantagem em cima dos outros, a sede insaciável de sair ganhando sempre e, ainda, poder se gabar disso.

Já disse outras vezes em outros lugares, mas repito aqui: o que mais me envergonha no meu país é o tal "jeitinho brasileiro". Fazendo-se valer da premissa de que, "se não for eu, será outro a levar vantagem" nos valemos de toda sorte de artimanhas para "sair ganhando" em alguma coisa. É uma impressão de um boleto pessoal no trabalho, ou do desvio de alguns produtos do escritório para o material escolar do meu filho. São alguns Reais na mão do "seu guarda" para não ter meu carro rebocado por alguma infração. É uma propina paga para livrar a cara de algum parente envolvido numa maracutaia. É uma sonegação de imposto. É a compra (e o pior, a venda) de votos na época de eleição.

Joseph-Marie de Maistre já disse outrora: Cada país tem o governante que merece. Se hoje reclamamos dos nossos governantes, infelizmente, a culpa é nossa. Esse desvio de caráter, chamado popularmente de "jeitinho", está arraigado na nossa sociedade. A meu ver, isso é algo difícil de mudar. Difícil, mas não impossível. Disso tenho certeza.

Penso que, se queremos um país diferente, devemos mudar a nossa forma de pensar. Eu, obviamente, me incluo nisso. Devemos esquecer isso de "jeitinho brasileiro". Devemos deixar de ter orgulho em passar as pessoas para trás. Devemos deixar de achar que as pessoas que fazem as coisas corretas são "manés". Devemos dar valor ao que realmente é valioso nesse aspecto: bom caráter. Bom caráter, é claro, decorre de vários fatores, mas passar isso para os nossos filhos, parentes, amigos (tanto quanto for possível) e sociedade deve um alvo pessoal de cada brasileiro.

É claro que uma mudança dessas não acontece de um dia para o outro. Estamos mudando, graças a Deus. Estamos mudando lentamente, mas já é alguma coisa. Apesar de acreditar nessa mudança, não tenho disposição para militante político-social. Tento mudar meu meio, tento influenciar os que estão ao meu redor e aqueles que posso alcançar de outras formas. Nunca vou me esquivar de tentar passar aquilo que acredito, como faço agora.

Se fazer as coisas certas é ser um "mané" então eu tento, todos os dias, ser um "mané". Nem sempre dou conta, mas vou tentando. Não me deixo vencer por algo que é cultural ou mais "malandro".

Olá, seja bem vindo a mais um blog perdido por aí na imensidão que se tornou a Internet.

Esse blog é uma iniciativa que tomei para escrever sobre algumas coisas que penso e que sempre quis externalizar. Meu único compromisso é escrever o que penso. Não vou me obrigar, como já fiz anteriormente, a escrever dentro de uma periodicidade, mas somente quando tiver vontade.

Esse post está aqui para servir de memorial para mim e para que você saiba que o jogo começou.

Fique à vontade para deixar um comentário caso deseje.